Cinema Independente Americano

Dar destaque a filmes americanos independentes é o objetivo da FLAD com a primeira edição do ciclo Outsiders – Cinema Independente Americano, uma seleção de filmes de realizadores independentes, produzidos nos EUA entre 2010 e 2019, alguns deles premiados e nunca antes exibidos em Portugal.

O Outsiders – uma coprodução do Cine-Clube da Ilha Terceira e da FLAD – inclui 11 filmes que, na sua maioria, envolvem orçamentos de baixo custo, gravação em vídeo digital ou diálogos improvisados, apresentando um olhar diferenciado sobre a vida contemporânea dos jovens adultos americanos.

Programação

Praia da Vitória — Auditório do Ramo Grande


Sessão de abertura31/03 Qui
21h00
Lena Dunham, 2010, 98'

01/04 Sex
21h00
Robert Greene, 2014, 86'

02/04 Sáb
18h30
Frank V. Ross, 2010, 85'
02/04 Sáb
21h00
John Magary, 2014, 111'

03/04 Dom
18h30
Patrick Wang, 2011, 169'

Angra do Heroísmo — Centro Cultural e de Congressos


Sessão de abertura07/04 Qui
21h00
Chloe Zhao, 2017, 104'

08/04 Sex
21h00
Eliza Hittman, 2013, 82’

09/04 Sáb
18h30
Bill Ross IV, Turner Ross, 2012, 80'
09/04 Sáb
21h00
Joe Swanberg, 2012, 79’

10/04 Dom
18h30
Peter Parlow, 2019, 76'
10/04 Dom
21h00
Amy Seimetz, 2012, 90'

From No Budgetto Netflix

Masterclass

7 Dez, 17h

Grande AuditórioFaculdade de Belas-Artes, Universidade de Lisboa

Saber Mais
JoeSwanberg

Entrada gratuita

Mediante levantamento de bilhete até 30 minutos antes do início da sessão. Lotação limitada à capacidade da sala.

Os Filmes

TINY FURNITURE
Ficção, 2010, 98’


ACTRESS
Documentário, 2014, 86’


AUDREY THE TRAINWRECK
Ficção, 2010, 85’


THE MEND
Ficção, 2014, 111’


IN THE FAMILY
Ficção, 2011, 169’


THE RIDER
Ficção, 2017, 104’


IT FELT LIKE LOVE
Ficção, 2013, 82’


TCHOUPITOULAS
Documentário, 2012, 80’


ALL THE LIGHT IN THE SKY
Ficção, 2012, 79’


THE PLAGIARISTS
Ficção, 2019, 76’


SUN DON’T SHINE
Ficção, 2012, 90’


"Os outsiders estão aí, prontos a conquistar o lugar que há muito lhes era devido."

Por Carlos Nogueira, Programador

À partida, um filme independente seria o oposto de um filme de Hollywood. Para simplificar, enquanto este último movimenta orçamentos gigantescos, o outro custa relativamente pouco; um destina-se essencialmente a entreter, o outro procura interpelar o espetador; um evita tomar partido em questões politicamente sensíveis, o outro é muitas vezes explicitamente crítico; um recorre a fórmulas estereotipadas, o outro procura transmitir um ponto de vista personalizado. Ou seja, um cineasta independente seria, por escolha própria, um outsider (por oposição ao insider de Hollywood), a fim de manter a sua liberdade criativa. Na realidade, as coisas são bem mais complexas… Que dizer dos grandes realizadores de Hollywood, passado e presente, que conseguiram transmitir a sua visão do mundo, apesar da máquina industrial ou mesmo graças a ela? Ou dos cineastas independentes que soçobraram a uma formatação indie, ou, então, que não resistiram ao aceno dos estúdios? O sistema de produção independente pode oferecer a quem tiver dedos para as aproveitar mais garantias de realização de um filme pessoal, sem necessitar de ceder a concessões de natureza vária, e de conservar o controlo da obra, seja durante a produção, seja na fase de distribuição e exibição. A tarefa não é forçosamente fácil e requer uma enorme dose de perseverança, mas a verdade é que raramente assistimos como hoje a uma proliferação tão grande de focos de criatividade no terreno, outrora demasiado ingrato, do cinema independente.

A história do cinema independente nos Estados Unidos é praticamente tão velha como a do próprio cinema. Aliás, se bem que hoje “cinema independente” se defina praticamente como a antítese de Hollywood, poucos sabem que Hollywood nasceu como uma rebelião dos “independentes” contra a Motion Picture Patents Company ou “Edison Trust”, que detinha as patentes da matéria-prima. Em pouco mais de uma década, porém, as companhias que se haviam deslocado para a costa oeste a fim de se dedicarem à produção longe da alçada da MPPC, urdiram o seu próprio sistema de produção, distribuição e exibição, que ficaria para a história como o studio system, e que substituiria o monopólio Edison pelo oligopólio hollywoodiano. O sistema de estúdios e a sua complexa mas extremamente controlada estrutura dominou a indústria cinematográfica americana durante mais de três décadas, deixando pouco ou nenhum espaço para a produção independente. A partir da década de 1950, porém, depois da famosa decisão judicial anti-trust, que obrigou os estúdios a abandonar a atividade de exibição, a porta ficou aberta para o aparecimento da produção independente. Nos anos 60 surgiram os primeiros “movimentos” ou grupos, mais ou menos informais, de cinema alternativo ao cinema “comercial”. John Cassavetes, por um lado, e Roger Corman, por outro, foram algumas das figuras que dinamizaram o cinema independente americano nessa época. O moderno cinema independente americano data de meados dos anos 80, em grande medida graças à dinâmica imprimida pelo festival de Sundance, e surge com uma intenção explícita de se rebelar contra o modelo de cinema dominante.

À medida que os realizadores desta primeira vaga indie, muito ligada às franjas culturais de Nova Iorque, enveredavam por percursos divergentes, que incluíam a aproximação a Hollywood (os Coen, Soderbergh), os circuitos marginais de natureza diversa (John Waters, Sara Driver) ou o ensaio cinematográfico (Mark Rappaport), uma nova vaga de cinema “artesanal” se perfilava: Richard Linklater, Alexander Rockwell, Wes Anderson. Era o início da década de 90, surgiam novos pólos criativos (Austin, Boston), apareciam também novos festivais como rampas de lançamento. Os avanços tecnológicos tiveram, na viragem do milénio, papéis não negligenciáveis no recrudescimento do cinema independente. A disponibilização, a preços abordáveis, das câmaras digitais veio provocar uma verdadeira revolução cultural: pela primeira vez na história da 7a arte, estava ao alcance de qualquer bolsa média, e com uma qualidade realmente concorrencial, a possibilidade de fazer um filme de longa-metragem no backyard, com os amigos ou os colegas da faculdade, por muito pouco dinheiro. E mais: a Internet vinha abrir um circuito de distribuição completamente novo para estas obras. A terceira vaga indie, surgida nos anos 2000, agarrou, pois, com avidez, entusiasmo e criatividade as novas oportunidades. Mantém grande parte dos traços que caracterizaram os seus elders (embora acrescente os seus próprios — linhas narrativas em torno das ansiedades de jovens pós-universitários, recurso a atores não profissionais, diálogo quase sempre improvisado), revê-se frequentemente como herdeira do legado e assume uma variedade que resiste, tal como as anteriores, às classificações de “movimento”.

A essa diversidade artística correspondeu também uma diversidade de receptividade muito acentuada. Se é verdade que alguns cineastas, identificados ou não com o rótulo mumblecore, alcançaram certa notoriedade nos circuitos indie, muitos outros não tiveram a mesma sorte, incluindo dentro dos Estados Unidos. Em Portugal, a programação alternativa não foi especialmente atenta; limitou-se, quase sempre, a seguir uma certa tendência internacional. Andrew Bujalski e os irmãos Safdie foram regularmente exibidos, é certo, mas são muitos os outros nomes importantes desta vaga indie que escaparam ao radar dessa programação. Lena Dunham deve a reputação que por cá tem à série Girls: nenhum dos filmes que realizou foi exibido em Portugal. De Joe Swanberg, um dos nomes maiores do mumblecore e um dos mais prolíficos cineastas contemporâneos (20 longas-metragens assinadas em menos de 15 anos), apenas foi exibido um filme. Nunca tiveram estreia nacional as primeiras longas de Eliza Hittman e Amy Seimetz. Foi preciso o óscar para que se ouvisse falar de Chloe Zhao. Cineastas da importância de Frank V. Ross, Patrick Wang ou Bill e Turner Ross são totalmente desconhecidos. Invisível permanece grande parte da obra de Robert Greene… O trabalho de divulgação desta geração de independentes está, pois, em grande parte, por fazer. A exibição, pela primeira vez em Portugal, deste conjunto de obras vem permitir preencher lacunas, estabelecer pontes e reencontrar elos perdidos. Os outsiders estão aí, prontos a conquistar o lugar que há muito lhes era devido.

Informações Úteis

Auditório do Ramo Grande
Rua Serpa Pinto 70,
Praia da Vitória

Centro Cultural e de Congressos
Canada Nova, S/N,
Angra do Heroísmo

Bilhetes
Entrada gratuita
Mediante levantamento de bilhete.
Lotação limitada à capacidade da sala.

Contactos

Imprensa:
Nuno Martins – nuno.martins@flad.pt

Inês Braizinha – ines.braizinha@flad.pt

Outras informações:
media.cultura@flad.pt

Sessões para M/14

  • Filmes legendados em português
  • Os lugares não são marcados
  • Programa sujeito a alterações
  • Uso de máscara obrigatório no interior do cinema
  • O Auditório do Ramo Grande e o Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo operam de acordo com as recomendações da Direção Geral da Saúde

Ficha Técnica

Programador

Carlos Nogueira

Coordenação de Produção

Vítor Alves Brotas | Agência 25

Produção

Clélia Luiz, Filipa da Rocha Nunes, Rui Vallêra

Coordenação de Comunicação

Inês Lampreia, Liliana Valpaços

Comunicação

Inês Braizinha, Mariana Nunes, Nuno Martins

Assessoria de Imprensa

Nuno Martins, Inês Braizinha

Identidade Gráfica

atelier-do-ver

Design de Comunicação, Web Design e Video

WSA Creative Agency

Tradução

Elsa Vieira

Fotografia

Edgardo Vieira

Agradecimentos

António Pinto Ribeiro

CINE-CLUBE DA ILHA TERCEIRA 

Direção Director
Jorge A. Paulus Bruno – Presidente

Secretariado
Melânia Pereira

Tesouraria
Diogo Ferreira

Vogal
Rogério Sousa, Filipe Leite

AUDITÓRIO DO RAMO GRANDE

Direção
Paula Sousa
Vereadora da Cultura e Presidente da Cooperativa Praia Cultural 

Secretária da Vereadora
Lídia Godinho

Coordenador do Departamento de Produção e Comunicação
Evandro Machado

CENTRO CULTURAL E DE CONGRESSOS DE ANGRA DO HEROÍSMO 

Vice-Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo
Guido Teles

Chefe de Divisão da Unidade de Cultura e Apoio Social
Pedro Oliveira

Projecionistas
Fernando Alves, Samuel Jesus

Técnicos de Espetáculo
Jorge Silva, Samuel Jesus, Fernando Alves

Gabinete de Comunicação
Ruben Ramos, Miguel Gregório

Técnica Responsável Programação Cinematográfica
Carina Fortuna

Técnicos de Bilheteira
Samuel Castro

Manutenção
Câmara Municipal de Angra do Heroísmo

Assistentes de Produção
Marta Meneses, José Esteves

Técnico Responsável
João Pedro Santos

Coordenador do Departamento de Logística e Projetos Artísticos
Vasco Lima

Projecionista
Paulo Martins

Comunicação e Multimédia
Bárbara Barcelos

Coordenação Administrativa e Financeira
Rodrigo Azevedo

Coordenação de Bilheteira
Carlos Maciel

Manutenção
José Manuel Borges

Programador

Carlos Nogueira

Coordenação de Produção

Vítor Alves Brotas | Agência 25

Produção

Clélia Luiz, Filipa da Rocha Nunes, Rui Vallêra

Coordenação de Comunicação

Inês Lampreia, Liliana Valpaços

Comunicação

Inês Braizinha, Mariana Nunes, Nuno Martins

Assessoria de Imprensa

Nuno Martins, Inês Braizinha

Identidade Gráfica

atelier-do-ver

Design de Comunicação, Web Design e Video

WSA Creative Agency

Tradução

Elsa Vieira

Fotografia

Edgardo Vieira

Agradecimentos

António Pinto Ribeiro

CINE-CLUBE DA ILHA TERCEIRA 

Direção Director
Jorge A. Paulus Bruno – Presidente

Secretariado
Melânia Pereira

Tesouraria
Diogo Ferreira

Vogal
Rogério Sousa, Filipe Leite

AUDITÓRIO DO RAMO GRANDE

Direção
Paula Sousa
Vereadora da Cultura e Presidente da Cooperativa Praia Cultural 

Secretária da Vereadora
Lídia Godinho

Coordenador do Departamento de Produção e Comunicação
Evandro Machado

CENTRO CULTURAL E DE CONGRESSOS DE ANGRA DO HEROÍSMO 

Vice-Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo
Guido Teles

Chefe de Divisão da Unidade de Cultura e Apoio Social
Pedro Oliveira

Projecionistas
Fernando Alves, Samuel Jesus

Técnicos de Espetáculo
Jorge Silva, Samuel Jesus, Fernando Alves

Gabinete de Comunicação
Ruben Ramos, Miguel Gregório

Técnica Responsável Programação Cinematográfica
Carina Fortuna

Técnicos de Bilheteira
Samuel Castro

Manutenção
Câmara Municipal de Angra do Heroísmo

Assistentes de Produção
Marta Meneses, José Esteves

Técnico Responsável
João Pedro Santos

Coordenador do Departamento de Logística e Projetos Artísticos
Vasco Lima

Projecionista
Paulo Martins

Comunicação e Multimédia
Bárbara Barcelos

Coordenação Administrativa e Financeira
Rodrigo Azevedo

Coordenação de Bilheteira
Carlos Maciel

Manutenção
José Manuel Borges

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