A FLAD selecionou os seis projetos apoiados na edição de 2026 do Flechada – Programa de Apoio a Primeiras Exposições Individuais, uma iniciativa que apoia artistas emergentes na realização da sua primeira exposição individual. Cada um dos artistas receberá uma bolsa de financiamento até 5 mil euros para concretizar o seu projeto expositivo.

Os artistas selecionados são:

  • Inês Leal, que apresentará a sua exposição na Galeria Municipal do Porto, no âmbito da parceria entre a FLAD e a ÁGORA – Cultura e Desporto do Porto;
  • Bianca Dias, no Museu Nacional Resistência e Liberdade, em Peniche;
  • Mariana Machado, no Espaço MIRA, no Porto;
  • Isadora Alves, na Salto, em Lisboa;
  • Bernardo Ferreira, na Teodoro W., no Porto;
  • Francisca Jardim, no Espaço Cultural Mercês, em Lisboa.

Criado pela FLAD, o programa Flechada destina-se a artistas entre os 24 e os 31 anos, de nacionalidade portuguesa ou residentes em Portugal há pelo menos cinco anos, que ainda não tenham realizado uma exposição individual. O objetivo é facilitar o acesso a oportunidades expositivas e apoiar a entrada de novos artistas no circuito profissional da arte contemporânea.

A primeira exposição individual representa frequentemente um momento decisivo na carreira de um artista, permitindo apresentar um trabalho de forma estruturada, consolidar uma prática artística e estabelecer contacto com públicos, curadores e instituições. O Flechada procura responder aos desafios que muitos jovens criadores enfrentam no acesso a espaços expositivos, apoiando o desenvolvimento dos seus projetos e promovendo a articulação com estruturas profissionais do setor cultural.

A edição deste ano contou com a parceria da ÁGORA – Cultura e Desporto do Porto, que permitirá a apresentação de um dos projetos selecionados na Galeria Municipal do Porto. A exposição de Inês Leal será apresentada naquele espaço no primeiro trimestre de 2027, reforçando o compromisso da FLAD e da ÁGORA com a promoção de novos talentos e com o apoio à renovação da cena artística contemporânea.

Com o programa Flechada, a FLAD continua a investir na criação de oportunidades concretas para artistas em início de carreira, contribuindo para o desenvolvimento do tecido artístico nacional e para o surgimento de novas vozes nas artes visuais.

Sobre os artistas selecionados:

“O Forte de Peniche como primeira casa” | Bianca Dias

Local: Museu Nacional Resistência e Liberdade, Peniche

Bio: Bianca Dias (Barreiro, 2000) aproximou-se das imagens em movimento no curso de Cinema e Vídeo da Escola Secundária Artística António Arroio e foi na licenciatura de Som e Imagem nas Caldas da Rainha que materializou as memórias de migração da sua família através do cinema documental e outros suportes. Dedica-se à investigação de arquivos pessoais e testemunhos orais sobre o centro de refugiados do Forte de Peniche, a primeira casa da sua família em Portugal. Os seus filmes já circularam por festivais nacionais como Doclisboa, Exposição “Back2Black”, Festival Entre Olhares, Festival Connect, Marmostra International Film Festival. Retrospetivas dos seus filmes foram exibidas no Canal 180 (2023) e no Cineclube CR (2022). Paralelamente à sua pesquisa afetiva, dedica-se à produção e mediação cultural, tendo passado por projetos como IndieLisboa IFF, Doc’s Kingdom – International Seminar on Documentary Film, Estúdio CRUA, Filmes da Mãe.

 

“Bacantes” (título provisório) | Inês Leal

Local: Galeria Municipal do Porto

Bio: Inês Leal (2001, São João da Madeira) vive e trabalha no Porto. Artista, investigadora e designer. A sua prática artística e de investigação assume um caráter colaborativo, ensaístico e experimental, materializando-se na criação de instalações e séries, resultando em objetos híbridos sustentados pela investigação, pela experimentação e pelo cruzamento disciplinar.

 

“Fúria, fúria contra o fim da noite”| Isadora Alves

Local: Salto, Lisboa

Bio: Isadora Alves (n. 1996, Lisboa) é atriz e artista, trabalhando nas áreas da performance, teatro, cinema e escrita. Os seus projetos desenvolvem-se frequentemente como performances na paisagem, onde a luz surge como um material central de investigação.

Em colaboração com cientistas e comunidades locais, acompanha fenómenos como o recuo de glaciares e a atividade vulcânica, explorando questões ecológicas e formas de percepção sensorial. É co-fundadora do coletivo interdisciplinar Sympoietic Society, cuja investigação sobre o desaparecimento dos glaciares aborda o luto climático, a co-criação interespecífica e práticas de narrativa situada através de exercícios incorporados e práticas sociais.

Lecionou em várias instituições internacionais e colabora regularmente como performer com diferentes artistas e encenadores.

 

“Tríades” | Bernardo Ferreira

Local: Teodoro W., Porto

Bio: Bernardo Ferreira (n. 1997, Torres Vedras, Portugal; baseado em Hamburgo, Alemanha). Através do antagonismo entre a precisão linguística e a hipermobilidade corporal, a prática apropria estéti­cas neoliberais para a produção de constelações de objetos e palavras fragmentados — habitando o atrito produtivo entre a fixidez e a fluididade, onde o excesso do corpo queer revela paradoxalmente constrangi­mento.

 

“Pareidolia da Ursa” | Mariana Machado

Local: Espaço MIRA, Porto

Bio: Mariana Machado (Porto, 2000) é artista e investigadora independente. Concluiu em 2023 a Licenciatura emCinema na Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, tendo prosseguido os estudos no Mestradoem Som e Imagem: Especialização em Artes Digitais e Sonoras na mesma instituição. Traçou, ao longo destesanos, um percurso que passa pelo cinema experimental e a instalação, desenvolvendo o interesse emtrabalhar as estruturas cinematográficas e da perceção visual. A sua investigação desdobrou-se em torno damodelação, da programação e da experimentação com tecnologias digitais. Deste modo, o trabalho atualcentra-se não só em torno da imagem em movimento, mas também da síntese sonora, da composiçãoalgorítmica, da engenharia e de questões da filosofia da linguagem e da matemática. Trabalhos recentesincluem as peças instalativas “Eclipse do Meio” (2024), “5hz_thrsh.gatc_v1” (2025) e “Tusi-data / reading-as”(2025), apresentadas na Fundação de Serralves, na Escola das Artes e no espaço independente Branda. Ainvestigação desenvolve-se, deste modo, em paralelo com a prática artística, em que a retroalimentação entreambas sustém o seu desenvolvimento. A partir de abril de 2026, e até junho de 2027, faz parte da equipa deinvestigação do projeto CARCERART: Carceral Designs: Gender, Space, and Counter-Narratives ofConfinement, na Universidade do Minho, com uma bolsa de investigadora assistente. Em paralelo, escreveregularmente para a edição online Umbigo Space.

 

“Sub Umbra” | Francisca Jardim

Local: Espaço Cultural Mercês, Lisboa

Bio: Francisca Jardim (Porto, 1997). Vive e trabalha em Lisboa.

Formação:

2026 Projecto Individual, Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual

2022-2025 Curso Avançado Artes Visuais, Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual

2017-2021 Pintura, Faculdade Belas-Artes Lisboa

2013-2016 Design de Produto, Escola Artística António Arroio

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