O Caravel, veículo autónomo de superfície desenvolvido no âmbito do projeto JUNO – Robotic Exploration of Atlantic Waters, iniciou, no passado dia 20 de julho, a sua travessia entre o Porto de Leixões e o arquipélago dos Açores. A missão representa um marco na observação oceânica, demonstrando a capacidade de um veículo autónomo, sustentável e de longa duração para operar no Atlântico e recolher dados científicos em ambiente real.

O projeto é liderado por Renato Mendes, investigador do INEGI – Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial e vencedor do FLAD Science Award Atlantic 2021, distinção atribuída pela FLAD para apoiar projetos científicos inovadores dedicados ao conhecimento do Oceano Atlântico.

O apoio da FLAD permitiu impulsionar uma iniciativa ambiciosa que combina engenharia, robótica marítima, oceanografia e operação remota, culminando nesta demonstração de uma travessia autónoma e sustentável entre Portugal Continental e os Açores. O projeto envolve ainda o +ATLANTIC CoLAB, o Laboratório de Sistemas e Tecnologias Subaquáticas (LSTS) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e o Professor Pierre Lermusiaux, do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Uma missão para conhecer melhor o Atlântico

Neste momento, o Caravel já completou cerca de 30% do percurso previsto, validando a capacidade da plataforma para operar durante longos períodos em ambiente oceânico. A missão permitirá testar, em condições reais, a autonomia do veículo, os sistemas de comunicação e supervisão remota, bem como a recolha contínua de dados científicos.

Movido pela energia das ondas e apoiado por painéis solares, o Caravel realiza missões prolongadas sem recorrer a combustíveis fósseis, constituindo uma solução sustentável para a observação do oceano, particularmente em zonas remotas ou de difícil acesso.

Ao longo da travessia, o veículo irá recolher informação sobre fenómenos oceânicos de elevada relevância científica, como frentes oceânicas, vórtices de pequena escala, zonas de acumulação de detritos flutuantes e outros processos difíceis de monitorizar através de campanhas tradicionais.

Ciência, inovação e cooperação internacional

A missão beneficia da experiência adquirida numa tentativa anterior, realizada em 2025, que permitiu identificar e corrigir uma limitação técnica relacionada com um componente de hardware. O conhecimento obtido reforçou a robustez da plataforma e contribuiu para preparar esta nova travessia em melhores condições técnicas e científicas.

O projeto JUNO enquadra-se na visão da Década das Nações Unidas da Ciência do Oceano para o Desenvolvimento Sustentável, promovendo a recolha e partilha de dados científicos essenciais para compreender fenómenos associados às alterações climáticas, à poluição marinha, aos ecossistemas oceânicos e à gestão sustentável dos recursos do mar.

Mais do que uma travessia autónoma, esta missão demonstra o potencial de uma nova geração de plataformas de observação oceânica, capazes de complementar os métodos tradicionais de investigação e reforçar a capacidade científica e tecnológica de Portugal enquanto país atlântico.

Acompanhar a missão

A evolução da travessia pode ser acompanhada em tempo real através da plataforma Ripples, do LSTS-FEUP da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, onde é possível consultar a posição atual do Caravel. Os principais marcos da missão serão igualmente divulgados através da página de LinkedIn do +ATLANTIC CoLAB.

Agradecimentos

A equipa do projeto JUNO agradece o apoio recebido ao longo das várias fases de desenvolvimento, preparação e execução da missão. Este percurso beneficiou da partilha de conhecimento, experiência operacional, apoio logístico, enquadramento legal e colaboração institucional de um conjunto alargado de entidades e parceiros.

Um agradecimento especial ao INEGI, atual afiliação de Renato Mendes, à Marinha Portuguesa, ao Instituto Hidrográfico, à APDL – Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo, à NTNU – Norwegian University of Science and Technology, à Agência Espacial Portuguesa, ao EMSO-PT (Observatório Europeu Multidisciplinar do Fundo do Mar e Coluna de Água ), ao Clube Naval de Leça, ao Clube de Vela Atlântico, à BBDouro, à Marina Porto Atlântico, à AutoNaut-Seiche, à Escola do Mar dos Açores e ao OKEANOS – Instituto de Investigação em Ciências do Mar, entre outras pessoas e instituições que contribuíram, e continuam a contribuir, de forma relevante para tornar esta missão possível.

Ao apoiar este projeto, a FLAD reafirma o seu compromisso com a promoção da excelência científica, da inovação tecnológica e do conhecimento do Atlântico, contribuindo para o desenvolvimento de soluções sustentáveis para a observação e proteção do oceano.

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