Sumário Executivo

Study in Portugal Network (SiPN) é um programa da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e surge no âmbito de um forte momento de internacionalização das universidades, empresas e instituições portuguesas, tendo como objectivo dar respostas globais e acrescentar valor à cidade de Lisboa e ao país, posicionando Portugal como referência num contexto de competição internacional, tendo como principal vantagem comparativa a geocentralidade e um privilegiado ponto de acesso a outros países lusófonos.

Em complemento ao programa Erasmus, que atrai muitos milhares de alunos europeus para Lisboa – um produto académico que se considera mais maduro e para o qual Portugal já se posicionou como um dos destinos de eleição (no ano lectivo 2012/2013, Portugal mereceu a escolha de 9,894 alunos Erasmus, segundo dados da European Comission), o SiPN ambiciona criar e entregar um produto que esteja alinhado com as características e expectativas muito específicas de alunos e universidades norte-americanas (muito distintos dos Erasmus). O objetivo é diversificar, levando os mercados emissores de alunos estrangeiros a desenvolverem programas de Study Abroad na cidade lisboeta (numa primeira fase). Isto com vista a criar uma atração em relação a Portugal, as suas universidades e instituições, que é ainda diminuto em comparação com outras cidades da Europa. Procuramos ainda incrementar a retenção de valor para futuros projetos de estudo, empresariais e visitas turísticas, à semelhança de outras iniciativas mais genéricas apoiadas também pela FLAD, como é o caso dos projetos Study in Lisbon e Study in Portugal.

Quantificando os fluxos de alunos norte-americanos que se ausentam do seu país para estudarem no estrangeiro, e para que se tenha uma ideia do posicionamento atual de Portugal como país receptor de alunos provenientes deste mercado, importa referir que, segundo o relatório anual 2011/2012 do Institute of International Education (Host Regions and Destinations of U.S Study Abroad Students), saíram dos EUA para desenvolver programas de estudo, nesse ano académico, 283,332 alunos. O Reino Unido foi o destino de eleição, acolhendo 34,660 alunos, a Itália recebeu 29,645 alunos e a Espanha fecha o top 3 acolhendo 26,480 alunos. Surpreendentemente, países como a República Checa (3,477), Grécia (2,701), Hungria (682), Polónia (562) e Luxemburgo (369) receberam muitos mais alunos do que Portugal, que registou apenas a vinda de 211 pessoas nesse período. É esta a realidade que o SiPN pretende alterar.

Em concordância com o formato de ensino e contexto cultural norte-americano, o SiPN oferece uma experiência de study abroad, em formato semestral, anual ou programa de Verão. Como um produto académico “chave-na-mão”, inclui no seu preço não só os custos da propina mas também alojamento, passeios pela cidade e pelo país, agenda cultural, passe de transportes públicos, telemóvel, para além de todo o acompanhamento desde o momento da inscrição até ao regresso a casa.

A Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento pretende alcançar entendimentos e parcerias com diversas universidades de referência pela excelência no ensino em Portugal, e projeção internacional (com ofertas curriculares regulares em Inglês), inicialmente apenas no panorama de ensino em Lisboa, ambicionando depois o programa abranger outras universidades localizadas noutras cidades portuguesas.

Numa primeira fase, com a cerimónia de assinatura e lançamento a ocorrer no dia 7 de Outubro de 2015, no auditório da FLAD (fotos), contam-se os seguintes estabelecimentos de ensino superior: o ISCTE-IUL, a Universidade Católica, a Universidade de Lisboa e a Universidade Nova de Lisboa – que estão assim capacitadas para atribuir créditos académicos e assegurar a progressão académica dos alunos).

A FLAD, em conjunto com estas (e outras futuras) universidades, faz um levantamento das ofertas curriculares já oferecidas regularmente em inglês, oferecendo a frequência de outras 4 Unidades curriculares por semestre nas áreas das Ciências Sociais e Humanas, com especial enfoque nos tópicos de ensino relacionados com Lisboa e Portugal num contexto Europeu e Lusófono, com vista a conferir mais identidade ao programa. Para além destas ofertas, os alunos têm à sua disposição todos os níveis de cursos de Português para estrangeiros (desde o nível A1 até ao C2, segundo a nomenclatura de referência europeia), a somar a toda a oferta curricular leccionada em português oferecida pelas universidades integrantes do network, para os que tiverem domínio suficiente da língua.

O programa terá uma base itinerante, tendo como suporte logístico uma das referidas universidades por semestre. É por isso um programa académico em puro formato de consórcio, com vista a potenciar e criar sinergias positivas entre as instituições envolvidas, acelerando o processo de internacionalização das mesmas e aumentando as suas receitas próprias.

Toda a informação (application process, universidades, suas localizações, ofertas curriculares, alojamentos, etc) está sistematizada de forma intuitiva e apelativa num website, enquadrada num processo de recrutamento e comunicação dos vários aspetos do programa, direccionado a potenciais alunos norte-americanos que estejam à procura do melhor programa de “study abroad” do mercado.

Outro dos atributos distintivos do programa será a criação de uma bolsa de estágios disponível para os alunos interessados neste aspecto, concretizando a ideia de imersão num contexto laboral português e a conexão prática com os conteúdos leccionados na sala de aula.

A montante, na América do Norte, a FLAD, pelos seus conhecimentos e passado de apoio a universidades norte-americanas, tenciona tirar benefício do rapport criado ao longo dos anos, estabelecendo parcerias com Universidades para tornar mais conhecido o programa e assim aumentar os níveis de recrutamento de potenciais alunos.

Para tal, o director do programa e administrador da FLAD, Michael Baum, deslocou-se aos EUA com o intuito de visitar várias universidades com as quais a FLAD mantem um passado de colaboração nas mais diversas áreas, para além disso, esteve também presente na American Portuguese Studies Association Conference, em Albuquerque (NM), uma iniciativa apoiada desde longa data pela FLAD, sendo uma oportunidade singular para apresentar o projeto a uma audiência composta por docentes de diversas universidades de diferentes estados. Outros périplos semelhantes a outras zonas dos EUA foram realizados, nomeadamente a presença na NAFSA, o maior encontro do mundo de educação. A FLAD já apoiou diversas idas a esta feira de outras iniciativas semelhantes (Study in Portugal, Study in Lisbon) e esteve presente com um projeto de sua autoria, desenhado à medida para as especificidades do ensino norte-americano, o Study in Portugal Network.

O programa ambiciona, sem prejuízo dos atributos e motivações normais de um programa/aluno de study abroad, criar uma proposta de valor que realce o potencial da língua portuguesa, de Lisboa (Portugal) como hub de excelência para desenvolver percursos académicos, como local com excelentes condições para criar um negócio, como ponto de contacto privilegiado para a entrada na Europa e nos países lusófonos.

Procura-se não circunscrever a estadia em Lisboa do aluno/a a um determinado espaço de tempo finito. Para isso, realizam-se visitas de estudos e uma agenda com visitas a empresas, a incubadoras de empresas, ações de sensibilização sobre a importância da língua portuguesa como língua emergente num contexto de negócios, entre outras atividades, para que Lisboa/Portugal permaneça no radar do aluno para projetos futuros, sem nunca esquecer uma perspetiva antropológica, histórica e social da cidade e do país.

A médio e longo prazo, o SiPN tencionará capitalizar e fomentar programas de cooperação entre universidades portuguesas e outras localizadas em países lusófonos, sistematizando também este tipo de ofertas, conferindo-lhes mais exposição junto do mercado académico norte-americano potenciando assim em última instância a marca lusófona e a língua portuguesa.

O SiPN tem como principais parceiros, para além da FLAD, a Embaixada dos EUA, a Direção Geral do Ensino Superior – Ministério da Educação, a Câmara do Comércio Luso-Americana, a Fulbright Portugal, a Câmara Municipal de Lisboa e a AICEP. É natural que esta rede de parcerias se venha a alargar a outras instituições que se venham a identificar com o propósito e a sua colaboração seja pertinente e relevante para concretizar os objetivos propostos.