President Obama’s Legacy: Can He Help Restore Civility to American Politics? (English and portuguese version)

Lara Alameh, Senior Fellow da Fundação Luso-Americana

Lara Alameh, Senior Fellow da Fundação Luso-Americana

On Tuesday, January 20th, President Barack Obama will give his annual State of the Union to the American people in a joint session of Congress. The domestic and international environment surrounding this year’s remarks presents an opportunity for the President to showcase the areas he has done well in as he pledged he would in his first inaugural address of 2009, and also to shed light on remaining challenges both at home and abroad that will require cooperative bi-partisan support.

But more importantly, this is the moment that begins the end of his tenure as President, and as such it is one that will define his place in history.

 

The question is how will President Obama choose to build that legacy? Will he be a partisan team player and make amends with those inside his Democratic party who blame him for the last midterm election losses but still need him to set the stage for a Democratic Presidential victory in 2016? Or will he walk alone and drink a bi-partisan bourbon with the boys further marginalizing Democratic Minority Leader Nancy Pelosi, by placing his bets with the Republican majority leaders in both the House and Senate, John Boehner of Ohio and Mitch McConnell of Kentucky, respectively? Or can there be a third way forward that cultivates statesmanship and reduces the extremism that is undermining the fabric of American democracy in both parties?

This is the first time the President will be addressing a Republican led Congress in both chambers. Both Boehner and McConnell are showing restraint against the more extremist elements in their party and have publicly expressed the importance of working with the President to move the country forward in areas they can agree on. In the House, twelve marginal Republicans voted against Boehner as Majority Leader and in the Senate primary McConnell won against a Tea-Party Republican challenger. So both understand well that statesmanship will not come from disgruntled partisan politics but from getting things working again and this will benefit both parties in the long-term.

Domestically, while there remain outstanding challenges like immigration reform, the country is doing much better. Job creation is at its highest since record lows in 2009, bringing the unemployment rate down from 10% to 5.6%. The dollar is growing strong against foreign currencies and if forecasts prove correct the Dollar and the Euro will be on equal footing by the end of 2016. Despite its flaws, enrollment in the Affordable Care Act is expanding. Finally, the President is expected to announce a new education initiative that will reduce costs for college students attending two-year community colleges. While Republicans may have serious policy differences with the President, these areas along with tax reform and expanding trade opportunities for American businesses represent an opportunity to work together and give Americans the stability and prosperity they crave.

But for America to truly win and come out on top it must find a way to end the vitriolic partisan environment that puts American lives at risk, such as the 2011 massacre in Tucson, Arizona when U.S. Representative Gabrielle Giffords and eighteen others were shot by a mentally ill political extremist. The growing threats posed by militant extremism against freedom of expression and other democratic values only serve to weaken our nation at home and abroad. Perhaps part of President Obama’s legacy can be to bring politicians together from both sides of the aisle to restore civility to the American political process. The political landscape is ripe for this change.

 

– VERSÃO PORTUGUESA NO JORNAL  i

 

O legado de Obama: pode o Presidente dos EUA restituir a civilidade à política americana?

Barack Obama profere no dia 20 de Janeiro o discurso anual sobre o Estado da União numa sessão conjunta do Congresso norte-americano. O ambiente nacional e internacional criado em torno da intervenção é uma oportunidade para o Presidente dos Estados Unidos destacar os aspectos em que foi bem-sucedido, como se comprometeu no discurso inaugural de 2009. É também uma oportunidade para esclarecer sobre outros desafios, tanto no plano interno como externo, que precisarão da cooperação bipartidária. Mais importante, no entanto, é ser este o momento que define o princípio do fim do seu mandato – e que, nesse sentido, irá definir o lugar de Obama na História.

Resta saber como irá o Presidente construir este legado. Será um “team player” partidário e tentará emendar-se junto dos que, no Partido Democrata, o responsabilizam pelas derrotas nas últimas eleições intercalares, mas que ainda precisam dele para criar as condições para uma nova vitória presidencial em 2016? Ou fará uma caminhada solitária, tomando um bourbon bipartidário com os amigos e pondo de lado a líder da minoria na Câmara, Nancy Pelosi, apostando nos líderes republicanos da maioria tanto na Câmara como no Senado, respectivamente John Boehner do Ohio e Mitch McConnell do Kentucky? Ou poderá existir uma terceira solução que demonstre o sentido de Estado e minimize o extremismo em ambos os partidos – Republicano e Democrata – que está a enfraquecer o tecido da democracia americana?

Esta será a primeira vez que o Presidente se irá dirigir a um Congresso liderado pelos republicanos nas duas câmaras. Tanto Boehner como McConnell exibem distanciamento em relação aos sectores mais extremistas do partido e expressam publicamente a importância de trabalhar com o Presidente para desenvolver o País nos aspectos em que estejam de acordo. Na Câmara dos Representantes, doze republicanos isolados votaram contra Boehner para líder da maioria e, nas primárias para o Senado, McConnell venceu contra um opositor republicano do Tea Party.

Ambos percebem bem que o sentido de Estado não poderá nascer do ressentimento na política partidária, mas da recuperação do entendimento, o que a longo prazo irá beneficiar ambos os partidos.

No plano nacional, apesar de se manterem desafios de enorme importância, como a reforma da imigração, o país está bastante melhor. A criação de emprego atingiu o auge desde os mínimos em 2009 e a taxa de desemprego desceu de 10% para 5,6%. O dólar está a tornar-se mais forte face a outras moedas estrangeiras e, se as previsões se confirmarem, o dólar e o euro estarão em pé de igualdade em finais de 2016.

Apesar das suas falhas, a adesão aos novos planos de saúde está a aumentar. Finalmente, Obama deverá anunciar uma nova iniciativa sobre a educação que irá reduzir os custos para os alunos universitários que frequentam os community colleges por um período de dois anos.

Apesar de haver diferenças políticas entre os republicanos e o Presidente, as áreas mencionadas em conjunto com a reforma fiscal e o aumento de oportunidades de negócio para os empresários americanos são uma oportunidade para trabalhar em conjunto e oferecer aos americanos a estabilidade e a prosperidade que desejam.

Mas, para a América realmente vencer, terá de encontrar uma forma de acabar com o ambiente partidário de confrontação que põe em risco as vidas de norte-americanos, como aconteceu no massacre de 2011 no Tucson, em que a representante Gabrielle Giffords e outras 18 pessoas foram alvejadas por um extremista político desequilibrado. As ameaças crescentes do extremismo militante contra a liberdade de expressão e outros valores democráticos servem apenas para enfraquecer os Estados Unidos interna e externamente.

Pode ser que uma parte essencial do legado do Presidente Obama passe pela união dos políticos de ambos os lados da bancada para restituir a civilidade ao processo político norte-americano.

O cenário político está pronto para esta mudança.

 (TRADUÇÃO DE CARLA QUEVEDO)