“Moçambique, o direito à felicidade” – artigo de Bruno Ventura publicado no diário moçambicano “O País”

Bruno Ventura Diretor da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento

Bruno Ventura
Diretor da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento

“Todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, entre os quais estão a vida, a liberdade e a procura da felicidade.”
Thomas Jefferson
Declaração da Independência dos EUA

Há uma matéria do domínio humano que não se enquadra em qualquer abordagem justificativa de relativismo cultural, que é a liberdade individual. É uma aspiração inalienável do homem enquanto cidadão, não é propriedade de nenhum continente.

Concorrem para esse facto uma latitude de exemplos, sejam a luta contra a escravatura, a conquista do direito de voto feminino, ou a quantidade de “muros” que o Homem fez cair pela implantação da democracia.

Acresce o facto de que os países com maior índice de desenvolvimento económico e humano são aqueles onde a democracia e a livre iniciativa vigoram há mais anos.

Em Moçambique, felizmente, são cada vez mais as organizações da sociedade civil que assumem a defesa da democracia e da liberdade como imperativos categóricos. País rico em recursos naturais e humanos, Moçambique tem de conciliar os seus elevados índices de crescimento económico com os progressos no que diz respeito ao desenvolvimento humano. Todos sabemos que a riqueza natural pode ser um recurso curto sem uma sociedade civil empenhada na construção de uma sociedade democrática com uma economia aberta.

A juventude dos moçambicanos é uma inegável mais-valia. Saber que cerca de metade da população total tem uma idade inferior à idade ativa (15 a 64 anos de idade), é também um valor acrescentado de esperança para o futuro do país.
Estamos agora perante a primeira geração da História de Moçambique em que muitos dos que irão votar nasceram já em Democracia – ou seja, depois das primeiras eleições livres e multipartidárias em 1994. É uma geração que não viveu a guerra pela independência, que não conheceu a guerra civil, nem o sistema do partido único – uma geração que cresceu com o direito de escolher, de se expressar, de votar.

Moçambique é também por isso, o exemplo de que a democracia, quando não é uma forma de governo, é uma causa – e a liberdade, quando não é um direito, é uma aspiração.

Importa referir que as legítimas expectativas das novas gerações no desenvolvimento humano, na qualificação e capacitação do homem e no crescimento do emprego só serão realizáveis estabelecendo hoje como prioridade a manutenção da Paz e a consolidação da democracia.

São estas as exigências que são colocadas às atuais lideranças. Por isso mesmo, a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento tem cooperado ativamente com as organizações da sociedade civil dos países da CPLP e, em especial, de Moçambique.

O Parlamento Juvenil de Moçambique é um desses exemplos.

Uma organização que cuida de temas essenciais para o desenvolvimento do país. Como aconteceu na iniciativa que decorreu em Maputo nos dias 24 e 25 de Março sobre o papel do cidadão na governação municipal.
Independente e autónomo de partidos políticos, o Parlamento Juvenil de Moçambique foi distinguido pela Rede Pan-Africana da Juventude para a Promoção da Cultura de Paz “PAYNCOP” (criada com o apoio da UNESCO e da União Africana), pelo sucesso da sua intervenção em prol da Paz e da Democracia em África durante o ano de 2015.

São valores certos no tempo certo, contando com as pessoas certas, em que a FLAD se orgulha de apostar. Olhando para estes bons exemplos, Moçambique tem tudo para ser feliz.

Artigo originalmente publicado no jornal moçambicano “O País”.