A mesa é um objeto comum, um espaço de encontro e de comunhão, de celebração da vida, lugar das refeições e do descanso das horas que cosem o nosso quotidiano.

Mas a mesa pode ser também o lugar da escrita, do trabalho, do pensamento e da reflexão, e ainda um lugar de recolhimento para sonhar.

À mesa convive-se, conversa-se, pensa-se.

A exposição itinerante resgata o seu título de um poema de Alexandre O’Neil, poeta e artista visual com uma relevante obra no âmbito do desenho, e parte da mesa enquanto metáfora da realidade vivida – um lugar de encontro, de confronto, de comunhão, de deriva, e um espaço social, seja na intimidade da casa ou num espaço aberto e partilhado como o espaço público.

A “Mesa dos Sonhos” é uma forma poética de falar de encontros que as obras expostas evocam, muitas das vezes com um caráter autorreferencial. A obra de arte transforma-nos o olhar e deste modo o nosso pensamento sobre o mundo que nos rodeia, abrindo diferentes campos de possibilidades para a sua apreensão, mas também funciona como elo de ligação com outras realidades subjetivas, que cada objeto artístico revela enquanto aproxima linguagens e códigos que aparentemente nos parecem distantes.

Assim, a exposição é um dispositivo essencial na relação com o imaginário dos artistas, e a presença e o trânsito do corpo do espectador no espaço da exposição são os elementos fundadores dessa experiência. O diálogo entre a obra e o nosso corpo transforma-se num vórtice que nos afeta em termos físicos e psicológicos, confrontando-nos com um estado imaginário que sobre nós é projetado.

“A Mesa dos Sonhos” reúne duas coleções de arte contemporânea que estabelecem um diálogo e confronto entre diferentes modos de produção e de pensamento – a coleção da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, e a coleção da Fundação de Serralves, ambas criadas no último quartel do século XX. 

Nesta exposição poderá encontrar obras que englobam artistas como a Ana Jotta, Helena Almeida, João Queiroz, Joaquim Bravo, Pedro Cabrita Reis e Alberto Carneiro, entre outros.

A exposição é de entrada gratuita e integra-se num programa de apresentação de obras da Coleção de Serralves, selecionadas para os locais de exposição com o objetivo de tornar o acervo acessível a públicos diversificados de todas as regiões do país.

Não perca esta exposição itinerante, agora presente, desde 23 de Outubro, no Teatro Municipal da Guarda.

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