FLAD apresenta programa de segurança energética

Assinatura do Protocolo

Agostinho Pereira de Miranda, Sócio Presidente e fundador da Miranda Correia Amendoeira & Associados, assinou o protocolo com o presidente da FLAD, Vasco Rato

O protocolo de cooperação foi assinado hoje, dia 29 de Setembro. A Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento apresentou o programa de segurança energética em parceria com a sociedade de advogados Miranda Correia Amendoeira & Associados. Estados Unidos e África podem substituir total do gás russo em 2020 e a importância da Península Ibérica enquanto plataforma para a melhoria da segurança energética da Europa são as duas primeiras conclusões do projeto.

A Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) apresenta o Programa Segurança Energética FLAD, uma iniciativa que será desenvolvida nos próximos meses, contando com a parceria da sociedade de advogados Miranda Correia Amendoeira & Associados, um protocolo de cooperação assinado hoje, dia 29 de Setembro, na sede da FLAD.

As principais conclusões do primeiro de uma série de três research papers que compõem o estudo – «O Impacto no Risco Geopolítico da Segurança Energética da UE do ‘Shale Gas’ dos EUA e do Gás Natural Africano» -, indicam que o gás natural proveniente dos EUA e de África poderá substituir a totalidade das importações russas na Europa em 2020. Para isso, é necessário existirem infraestruturas para a receção e o transporte de Gás Natural Liquefeito (GNL) na Península Ibérica.

Neste cenário, Portugal e Espanha, pela sua excelente posição geoestratégica euro-atlântica, poderão tornar-se numa importante plataforma para a melhoria da segurança energética da Europa. Sines, por ser o porto mais próximo da costa dos EUA, aliado ao facto de ter capacidade de receber navios das maiores dimensões, é um território ideal para a receção de GNL e poderá substituir 3,5% das importações russas de gás natural, um montante próximo do atual consumo em Portugal. Para esse efeito, será necessária uma ligação direta a França.

Com a missão de desenvolver atividades de investigação sobre as dinâmicas geopolíticas, económicas e tecnológicas que assegurem a segurança energética do espaço Atlântico, o Programa Segurança Energética FLAD conta com especial enfoque nas interdependências no sector dos hidrocarbonetos entre os EUA e o espaço lusófono.

Neste sentido Vasco Rato, Presidente da FLAD, afirma que “o conhecimento produzido pelo Programa Segurança Energética FLAD tem o objetivo dinamizador de enriquecer a informação pública sobre o tema, bem como contribuir para um amplo alerta e reflexão estratégica dos decisores políticos neste sector, que se mantém prioritário à escala Mundial”.

Já na perspetiva de Agostinho Pereira de Miranda, Sócio Presidente e fundador da Miranda Correia Amendoeira & Associados, “a assinatura do Protocolo de Cooperação com a FLAD dá-nos a oportunidade de sermos um agente ainda mais ativo nas relações de carater empresarial no espaço Portugal – EUA – países lusófonos. A segurança energética é, a todos os títulos, uma área de cooperação estratégica nas relações económicas e políticas entre os EUA e os países em que a Miranda está presente.”

Agostinho Pereira de Miranda acrescenta que “a Miranda orgulha-se de ter sido escolhida pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento como sua parceira exclusiva no Programa Segurança Energética FLAD. O setor energético corresponde, direta ou indiretamente, a mais de 60% da atividade económica global. Por isso, nunca como hoje a segurança energética – tanto para os países produtores como para os consumidores – foi tão essencial à paz e prosperidade mundiais”.

Todo este cenário deve-se ao facto do Atlântico vir a ser indubitavelmente um dos principais corredores energéticos da economia global do século XXI. A ascensão de novos produtores petrolíferos a Sul e o renascimento dos EUA como potência energética são os principais eixos desta profunda mudança geopolítica com profundo impacto na segurança energética global, sobretudo no que diz respeito à disponibilidade física dos recursos energéticos fósseis e das dinâmicas industriais que a sua produção e comércio irão gerar.

Para aferir a melhor estratégia de diversificação de importações de gás natural para um abastecimento seguro para a Europa até 2020, Ruben Eiras, Diretor do Programa Segurança Energética FLAD refere que “recorremos à metodologia da Agência Internacional de Energia para tecer um cenário sobre o impacto geopolítico na segurança energética europeia com a substituição das importações russas”.

Sobre os resultados já obtidos, Ruben Eiras salienta que “a nossa análise vem demonstrar que a nova geografia energética faz com que os EUA em conjunto com África, em 2020, além de possuírem potencial para substituir, se necessário, o fornecimento de gás natural da Rússia à Europa, diminui em 50% o Índice de Risco Geopolítico da Segurança Energética da União Europeia”.

Portugal Continental – e o Arquipélago dos Açores, em particular – com uma extensa frente marítima, poderá desempenhar um papel relevante na estratégia europeia de segurança energética, adquirindo centralidade no futuro referencial energético europeu de gás natural. Se o gasoduto Sines-França estiver conectado às restantes centrais de GNL espanholas, será ainda teoricamente possível à Península Ibérica substituir cerca de 20% das importações europeias da Rússia.