EUA e Portugal ganhavam se políticos dialogassem com assiduidade, diz senador americano na FLAD

O Diálogo Luso-Americano está a juntar políticos portugueses e luso-americanos

O Diálogo Luso-Americano na FLAD juntou políticos portugueses e luso-americanos

O senador estadual luso-americano Daniel da Ponte acredita que Portugal e os Estados Unidos teriam muito a ganhar se apostassem na criação de um grupo de trabalho que reunisse, de forma regular e assídua, políticos portugueses e luso-americanos.

Daniel da Ponte, de 37 anos, foi um dos 12 políticos eleitos luso-americanos que participaram a 19 e 20 de Fevereiro de 2015 num encontro promovido pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) na sua sede em Lisboa, contando com a presença, entre outros políticos nacionais, do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e do líder do Partido Socialista, António Costa.
Aprofundar conhecimentos sobre a atualidade portuguesa e conhecer as várias oportunidades que o país oferece são as expectativas deste senador estadual democrata de Rhode Island em relação a este encontro, que espera que tenha, no futuro, uma continuidade.

“Tem de existir algum organismo ou algum grupo de trabalho que mantenha um diálogo com continuidade”, afirmou o político luso-americano já em Lisboa, em declarações à Lusa via telefone.

Daniel da Ponte recordou que ao longo dos anos têm existido alguns encontros – o último ocorreu em junho passado na embaixada portuguesa em Washington -, mas gostaria que a partilha de informações entre os políticos portugueses e luso-americanos fosse mais forte e regular.

Este grupo de trabalho seria “um elo de ligação entre as duas partes (.) para quando existir alguma iniciativa ou alguma coisa que possamos colaborar através dos nossos cargos. (.) Nós podemos fazer muito mais, mas precisamos de saber de que forma podemos apoiar e ajudar”, afirmou.

Com origens açorianas, Daniel da Ponte encara com apreensão a recente decisão de Washington de reduzir a presença americana na base das Lajes, uma vez que está consciente que o impacto económico da medida para a ilha Terceira “é preocupante”.

Em Lisboa, o político luso-americano, legislador a nível estadual, espera avaliar este assunto e atualizar as informações sobre esta matéria que foi tratada e aprovada, segundo sublinhou, a nível federal.

Durante o encontro “vamos apreciar e saber mais para termos ideia do que podemos conversar com os nossos legisladores federais”, referiu.

Também a nível económico, os políticos lusodescendentes podem assumir um papel mais relevante na altura de apresentar Portugal a potenciais investidores norte-americanos, segundo Daniel da Ponte.

“Primeiro precisamos de saber quais são as oportunidades, precisamos de saber melhor, em pormenor, os programas que existem, os desafios que existem. Todos somos orgulhosos em sermos portugueses e que queremos apoiar”, disse o político, que durante a entrevista à Lusa falou sempre em português.

Filho de emigrantes açorianos oriundos das ilhas de São Miguel e Santa Maria – a mãe chegou aos Estados Unidos na década de 1950 e o pai na década de 1960 -, Daniel da Ponte faz hoje questão de falar com os seus dois filhos – fruto do casamento com uma açoriana – em português.

“Como família, e como portugueses, é importante manter a língua e dar continuidade à nossa cultura, às nossas tradições, e também que os nossos filhos percebam, como nós temos percebido, o valor de falar o português”, sublinhou.
Sobre o ensino do português nos Estados Unidos, Daniel da Ponte frisou que essa responsabilidade “não devia cair só nos ombros de Portugal”, defendendo que os políticos lusodescendentes, como líderes de comunidades, também devem fazer um esforço político local para promover o português e apoiar iniciativas nesse sentido.

Daniel da Ponte, que nasceu em Providence (Rhode Island), foi eleito senador estadual em novembro de 1998, com apenas 20 anos. Também é presidente da comissão de Finanças do senado estadual e exerce a atividade profissional de consultor financeiro.

Segundo o estudo US Census de 2010, existem cerca de 1,3 milhões de americanos de ascendência portuguesa. A maior concentração dos emigrantes e lusodescendentes encontra-se nos Estados da Califórnia, Massachusetts, Rhode Island, Connecticut, Nova Iorque, Nova Jérsia e Florida.

Desde a década de 1970, foram eleitos para o Congresso norte-americano seis luso-americanos, todos do Estado da Califórnia.