Conferência “Desenvolvimento Económico e a Segurança Energética: desafios estratégicos”

O embaixador dos EUA, Robert A. Sherman, diz que o papel da FLAD nunca foi tão relevante como agora

O embaixador dos EUA, Robert A. Sherman, diz que o papel da FLAD neste domínio da Segurança Energética, como noutros, “nunca foi tão relevante como agora”

O desenvolvimento económico é indissociável das questões relacionadas com a segurança energética. Foi este o mote da segunda conferência 30 Anos FLAD “3D – 3 Décadas de Desenvolvimento: Científico, Económico e Político” que assinala três décadas da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), desta vez com o tema “Desenvolvimento Económico e a Segurança Energética: desafios estratégicos”.

De acordo com Vasco Rato, presidente da FLAD, “no atual paradigma internacional este debate torna-se central para a criação de uma estratégia sustentável de gestão dos recursos energéticos suportada numa visão global e transversal que capacite a resiliência dos estados face a potenciais ameaças”. “A questão energética será cada vez mais central nas relações transatlânticas e importa saber qual o papel do espaço que fala português nestas questões”, diz ainda Vasco Rato.

Já para Robert A. Sherman, embaixador dos Estados Unidos (EUA) em Portugal, “as questões energéticas são cada vez mais importantes para as lideranças de ambos os lados do Atlântico”. O diplomata referiu ainda que o papel da FLAD neste e noutros âmbitos “nunca foi tão relevante como agora”.

A conferência começou com uma exposição sobre “Energia Segura no Atlântico: desafios estratégicos”, tendo como keynote speaker Michael T. Klare, diretor do “Five College Program in Peace and World Security Studies, Hampshire College in Amherst, Massachusetts”.

Michael T. Klare explicou que, para além de centrais, as questões relacionadas com a segurança energética se tornaram cada vez mais complexas: “O conceito de segurança energética mudou de forma dramática. Tudo começou com a preocupação de uma fonte de energia – o petróleo – mas hoje tem muitos significados diferentes, e formas diversas de combustíveis como o gás natural, o urânio, a energia eléctrica e em diferentes campos que vão desde a distribuição às mudanças climáticas”.

Esta mudança joga-se, segundo este especialista, também ao nível das disputas geopolíticas das grandes potências globais sobre as reservas de recursos naturais disponíveis: “Novas reservas anteriormente inacessíveis encontram-se em zonas cujo território é disputado como no Árctico, nas Falklands/Malvinas ou no território entre China e Japão.”

Para Michael T. Klare, este campo também terá no futuro que ser alvo de cooperação entre as economias mais avançadas do Norte – “mais abertas às energias renováveis” – e os países menos desenvolvidos do Sul, “que ainda estão dependentes do recurso a energias fósseis”.

Michael Klare é um dos académicos norte-americanos mais brilhantes no campo da reflexão do futuro das relações internacionais e de como estas poderão sofrer a influência decisiva da política energética seguida pelos diferentes Estados. A sessão foi moderada pelo jornalista Paulo Ferreira.

Na segunda parte da conferência, moderada por Ruben Eiras, director do Programa de Segurança Energética da FLAD, Tim Boersma, director do “Energy Security and Climate Initiative” no “Brookings Institute”, e Michael Rühle, diretor do “Energy Security Section, in the Emerging Security Challenges Division in NATO’s International Staff”, debateram “A Geopolítica e a Perspectiva da Segurança Energética”.

Segundo Tim Boersma, “a política europeia no campo energético, como por exemplo no gás natural, é muito difusa”. Mais: “A Comissão Europeia fala muito de diversificação mas estamos num ambiente de mercado livre” e “faltam recursos às instituições europeias o que reduz a sua capacidade de manobra”.

Boersma referiu ainda o aumento da importância geoestratégica da Península Ibérica na diversificação do abastecimento de gás natural da União Europeia: “Portugal e Espanha são muitas vezes falados nesse plano”.

Tim Boersma tem dedicado grande parte da sua investigação às políticas de desenvolvimento energético e de coordenação das políticas públicas em matéria de energia entre os países da União Europeia.

Por seu turno Michael Rühle, defendeu que “apesar das boas notícias relacionadas com a diversificação e cooperação”, no campo da segurança energética “a interdependência não previne a existência de conflitos”. diz.

Para Michael Rühle, que conta com uma grande experiência nos domínios da segurança internacional e da energia, apesar de “a energia ser uma fonte directa de conflito” não deverá existir espaço para “militarizar a energia”, ainda que seja necessário um esforço conjunto de cooperação entre os diversos países e as organizações envolvidas.

De acordo com Ruben Eiras, “a segurança energética está a evoluir muito rapidamente e existe espaço para a cooperação” entre os diversos stakeholders com interesse particular neste campo.